quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Tristeza e satisfação


Oi pessoal... Bem, não quero comentar sobre ontem. Aliás, só vou me expressar após o domingo, mas a tristeza é muito profunda.

Mas o que quero falar é sobre algo que me aconteceu hoje. Desde 92, venho lecionando num colégio particular da Vila Mariana, que em 2001 foi vendido, mas por um erro não sei de quem, os professores continuaram e desde então, cada um foi, por livre e espontânea pressão, pedindo suas contas. Os donos anteriores já deveriam ter regularizado a situação de cada professor, para que a nova administração pudesse ter a liberdade de ficar ou não com nós, mas isso não aconteceu e nesses últimos tempos, cada professor antigo era colocado em horários ou situações constrangedoras, até que não agüentaram mais e pediram demissão. Eu, por outro lado, aceitei certas imposições e me colocaram num horário horrível, a tarde, como reforço, e venho assim trabalhando a cerca de 5 anos. Uma das desculpas para isso é que o salário pago pela administração anterior era muito maior do que a nova pagava para seu professores, entre outras coisas.

Eu já tinha expressado a minha vontade de fazer um acordo, e o dono uma vez, me chamou para tal. Eu não aceitei naquele momento. Eu não iria perder algo que eu tinha direito (eu teria que devolver a multa do FGTS, e outras coisitas). Eu sempre mantive a minha posição, não jogaria fora mais de 10 anos de serviços prestados.

Hoje, ao chegar ao colégio, encontrei a inspetora (que sabe da minha situação) e comentou: “Ainda nada, né Cido? O homem continua te obrigando a vir dar essas duas aulinhas...” e eu disse: “Fazer o que, não quero perder meus direitos.”

No momento em que eu estava aplicando umas provas, me chamaram para conversar com o departamento pessoal. E qual não foi a minha surpresa, veio a bomba: Você foi demitido!

E eu disse: “Não acredito, o que deu no velho?”

Contaram-me que ele está fazendo uma limpa geral no colégio, e que eu iria junto.

Naquele momento, fiquei feliz, uau, finalmente, valeu a minha teimosia, vou receber tudo que tenho direito.

Mas, por outro lado, bateu-me aquela tristeza. São 17 anos lecionando nesse estabelecimento; é claro que hoje os amigos que colecionei já não estão mais lá, mas vai ficar na memória. Não vou esquecer que lá pelos idos de 92 e 93, ajudei a quebrar um tabu ou preconceito que o colégio tinha contra pessoas cabeludas, alunos assim eram convidados a se retirar, mas de repente, apareceu um professor cabeludo e louco, e tiveram que me engolir. Errei muito, mas acertei muito também. Vesti a camisa do colégio e fui, na minha humilde e sincera opinião um bom profissional. Tanto é que fiquei todo esse tempo lá.

Bem, ainda vou cumprir aviso prévio, ou seja, dezembro conterá as últimas três semanas no colégio. Finalmente vou acertar o meu horário, pois trabalhar a tarde é um porre!

Eu estou triste e ao mesmo tempo satisfeito. No final, deu tudo certo!

Lembrem-se: EU E OS GATOS TEMOS ALGO EM COMUM... SOMOS GATOS!

2 comentários:

  1. Oi querido!

    Pois é...por um lado foi bom, porque pelo menos seus direitos estão garantidos, mas essa coisa de não se sentir valorizado é ruim mesmo, eu sei como é. Pelo menos você tem consciência que foi um profissional competente, fez o que podia. O sistema não trabalha pra resolver nossos problemas, lembra?

    Beijos, fica bem.

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  2. Essa nossa vida de professor não é fácil! Sempre nos trás sabores e dissabores... satisfação e tristeza!
    As dicotomias fazem parte do nosso cotidiano e, não há no mundo, quem as entenda a não ser o próprio professor... Explicar? Como?
    Há males que vem pra bem... já dizia mamãe. Tô feliz e triste por você! Mas seu que tudo vai dar certo!

    Beeeeeeeeeeeeeeeijos gigantes pra você!
    Té mais!!!

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Pessoal, comentem, críticas e elogios serão bem aceitos. E eu respondo, posso demorar mas respondo. Esse velho lobo do mar tarda mas não falha!!!!

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