sábado, 18 de outubro de 2008

A espera de Sofia





O dia estava ensolarado como se fosse verão, mas era já era quase no final do outono. Já se podiam perceber as folhas das arvores caídas pelo chão formando um tapete de contraste verde e marrom. E no parapeito de sua casa, Sofia estava sentada em sua cadeira de balanço esperando...

O vento batia em seu rosto, o cheiro das arvores ao redor de sua casa era intenso. Os passarinhos voavam de galho em galho, o som de seus cantos penetravam nos ouvidos de Sofia, como uma melodia harmoniosa, mas ela continuava esperando...

Um barulho, como se fosse uma explosão podia ser ouvido. Talvez fosse da construção que estava sendo feita alguns quilômetros adiante. Um grande shopping estava sendo construído, algo que iria modificar radicalmente a região, mas Sofia já nem se importava mais com isso, pois ela estava apenas esperando...

Alguns vizinhos passavam pela rua, alguns indo para o trabalho, outros para a escola, e outros cumprindo seus afazeres. Não tinha um que não cumprimentasse Sofia, seja com um aceno de mão ou com palavras doces com que a educação é permitida, Sofia apenas dava um leve sorriso, porque na verdade ela só estava esperando...

De repente, o clima começou a mudar as nuvens que antes eram tímidas, começaram a cobrir o céu, e podia perceber que uma tempestade se anunciava. Os primeiros pingos começavam a cair e alguns iam em direção ao seu rosto. Sofia continuava inerte. Ela apenas estava esperando...

A chuva começou a ficar mais forte, seus pingos batiam com uma forte intensidade na proteção que ficava acima do parapeito de onde Sofia permanecia impávida, com um semblante triste, mas ao mesmo tempo, conformada com a situação, conformada com o rumo que as coisas tomaram em sua vida. Agora, nesse momento, ela só queria ficar esperando...

As horas foram passando. A chuva começava a diminuir em intensidade, e o Sol tímido começava a despontar de novo no céu. Sofia ergueu a cabeça para ver a beleza que se anunciava no firmamento que começava a ficar azul de novo, as nuvens se dissipavam por completo, e o espetáculo da luz solar era uma visão que para seus olhos parecia ser a porta de entrada para um lugar melhor.

A espera de Sofia havia terminado. Sem entender o que estava ocorrendo, ela começou a flutuar em direção ao céu, sem olhar para trás, era como ela estivesse se libertando de uma prisão. O brilho solar a hipnotizava de tal modo que em seu rosto um sorriso de alegria e felicidade se abria. Ela sabia que era o começo de uma nova jornada, o passado que muito a fez sofrer era agora algo muito distante, quase que imperceptível. Uma nova vida estava por vir, e um sentimento de satisfação encheu o seu coração e a sua alma... enfim, ela tinha realmente encontrado a paz que tanto tinha almejado!
(by A. J. Rosário - 17/10/2008)

Fonte da imagem: Google

4 comentários:

  1. Wow, gato Cid!!

    Lindo! Tens muito jeito, muito jeito mesmo! :D

    Este texto pode ter muitas leituras, mas a minha é: Sofia desencarnou, e finalmente vai a caminho de Casa :D!

    Muito bom, muito bom mesmo!

    Beijos

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  2. Max: Obrigado pelas palavras. Esse texto nasceu assim de repente, eu estava no colégio, não havia aluno, porque era preparação de uma feira cultural e eu estava na sala dos professores praticamente fazendo nada; assim primeiro veio a imagem, depois as palavras. Rapidamente peguei a caneta e o papel e comecei a rascunhar. Que bom que você gostou.
    Abraços e beijos, gata! ;o)

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  3. Nossa...você parece estar descrevendo um de meus pesadelos...ou sonhos! Muito bom, Cidão!

    Espero que você continue com essa inspiração repentina, este ficou lindo, com um final inesperado, triste e belo ao mesmo tempo.

    Parabéns!

    Beijo, bom dia!

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  4. Du: Minhas inspirações vem de repente. Basta eu estar sem fazer nada, especialmente sem alunos, rsss
    Fico feliz em saber que você gostou!!! ;o)

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Pessoal, comentem, críticas e elogios serão bem aceitos. E eu respondo, posso demorar mas respondo. Esse velho lobo do mar tarda mas não falha!!!!

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