quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

08/12/1980, o dia em que o sonho acabou!

8 de dezembro de 1980. Uma data muito triste. Um dos maiores ícones da  cultura pop e do rock foi covardemente baleado com 5 tiros enquanto voltava por volta das 20h para o seu apartamento próximo ao Central Park, em New York.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O dia em que o sonho acabou!


Meu primeiro contato com eles foi com um compacto simples que eu tinha ganhado de meu meio-irmão. E eu o tocava naquela minha vitrolinha a todo momento. Não sabia que eles já tinham se separando anos antes, mas suas canções me cativaram da mesma maneira como hoje fazem com os jovens. Eles são referências para qualquer um que entre na área musical, especialmente para aqueles que realmente são roqueiros e é inadmissível alguém entrar nesse meio sem conhecê-los.

domingo, 31 de maio de 2009

Os livros impróprios e o Bode Expiatório

Paulo, um funcionário público concursado, orgulhava-se de seu trabalho na secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Tinha seu próprio escritório. Nunca chegava atrasado, era o primeiro a entrar e o último a sair. Às vezes excedia seu tempo de trabalho não para receber horas extras, já que o Estado não paga, mas porque amava o que fazia e o fazia com muito prazer.

Vindo de uma família humilde, Paulo conseguiu vencer na vida e se tornou o único dentre todos da família que possuía um diploma de curso superior. Todos se orgulhavam dele.


Meticuloso, sistemático, Paulo conferia tudo que chegava em suas mãos. Adepto do fazer a coisa certa, Paulo chegava até a irritar seus colegas de trabalho com tanto cuidado com que ele fazia as coisas. Ele era o exemplo, tanto é que por causa de sua eficiência, ele tinha sido convidado para um cargo de confiança de um novo secretário da pasta. E Paulo assim ficava feliz.

A grana do orçamento para a área da educação tinha sido finalmente aprovada e assim um projeto para a área seria aprovado, e Paulo iria encabeçar todo o trabalho, conforme assim prometera o seu superior.

A grana estava destinada a compra de livros para as crianças do fundamental para um certo programa de leitura, e Paulo começou a formar a sua equipe, que iria revisar os livros que seriam comprados das editoras.

Mas como sempre, qualquer coisa no Estado é para ontem, e Paulo deve indeferida a criação da equipe. O seu superior dizia que não dava tempo e que tinha uma lista de livros e revistas, que deveria ser liberada o mais rápido possível.
- Mas Dr. Amadeu, o senhor está me dizendo que iremos comprar das editoras sem uma necessária leitura dos livros, ou seja, vamos apenas marcar os livros que compraremos, mas com qual critério?
- Paulo, não seja tão chato. Veja bem, aqui está uma lista de livros que a Editora Merdoni nos enviou. Eles me garantiram que são livros adequados para a escola. Portanto vamos usar o bom senso, por exemplo, olha só esse livro aqui, ele se chama "Poesia da Noite - Poetas de ontem para Leitores do Amanhã", pelo que vê, se trata de um livro com poesias do cotidiano, perfeito para os nossos aluninhos, que precisam aprimorar a leitura e ao mesmo tempo aprender a gostar de poesia...
Nesse ínterim, Paulo interrompe e diz:
- Mas, senhor, não haverá uma revisão sobre o que deve estar escrito nesse livro? Será que o conteúdo é próprio para os nossos alunos?
- Deixa de ser besta, homem. Eles precisam ler, qualquer coisa basta. Veja só o resultado do Saresp, lastimável. Eles precisam ler. Olhe por exemplo, esse outro livro, "Vinte na área, três na banheira e alguém no gol", é um livro sobre futebol, perfeitíssimo, é um assunto do cotidiano deles e usa a linguagem dos quadrinhos, que é próprio para as crianças. Portanto, não tem erro, marque esses dois e escolha mais 48, dessas quatro listas que estou dando em suas mãos. Você vai ter uma bela compensação depois.
- Como, senhor - perguntou Paulo assustado - que tipo de compensação?
Com um sorriso levemente maroto e cínico, o Dr. Amadeu disse:
- Está tudo dentro da lei, meu filho. Sempre sobra algo para nós nessas licitações.

E assim, Paulo, mesmo com uma dor na consciência, relacionou os livros para o Programa do Governo. Dias depois, sua conta bancária estava bem gorda. Seu superior lhe disse para não se preocupar. Pelo trabalho feito, Paulo havia ganho um bônus, e que dali em diante, novos bônus poderiam surgir, desde que seu trabalho satisfizesse seus superiores.

E a bomba estourou meses depois. Todos os meios de comunicação noticiaram que muitos dos livros indicados eram impróprios pra os alunos do fundamental. Muitos deles recheados de palavrões e incitações á violência. De quem seria a culpa, dos técnicos do governo que não fizeram a devida revisão ou das editoras que usaram de má fé indicando pura e simplesmente os livros sem se importar à quem estavam destinados?

A editoras se defenderam, dizendo que lhes foram pedido uma lista de livros onde os estado iria verificar e comprar para o programa de leitura. Nunca em nenhum momento, as pessoas do estado disseram que esses livros seriam destinados para alunos da 3ª série do fundamental.

Do outro lado, o governo se defendeu, dizendo que nas diretrizes do programa, estavam a leitura e verificação de cada livro escolhido por uma equipe de técnicos especializados. Dando a entender que deve ter sido uma falha humana.

Bem, o dinheiro foi pago, algumas editoras festejaram e saíram do vermelho. Algumas pessoas no governo levaram as suas partes já que a compra foi superfaturada, como sempre nesse país.

O Dr. Amadeu, entrou em férias e foi viajar para a Europa.

E o pobre Paulo, héin?

Bem... Alguém teria que levar toda a culpa, não é mesmo?
(by A. J. Rosário - 31/05/2009)

Esta é uma obra de ficção. Os nomes aqui citados, bem como as obras e suas editoras, são fictícios. Qualquer semelhança é uma mera coincidência. Se bem que... É melhor eu ficar quieto!


Fonte da imagem



sábado, 27 de dezembro de 2008

Atenção ao sábado


Queria postar hoje uma crônica minha, mas por causa de alguns problemas (aqueles aproveitadores de sempre), minha mente não conseguiu organizar as idéias. Por ser o último sábado do ano, acredito que um texto da Clarice Lispector é sempre bem vindo. Esse texto estava numa agenda e achei oportuno para esse dia, e também porque a Du irá gostar . Portanto boa leitura!


ATENÇÃO AO SÁBADO

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.

No sábado é que as formigas subiam pela pedra.

Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.

De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.

Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?

No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.

Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.

by Clarice Lispector (do livro "Para Não Esquecer", Editora Siciliano - São Paulo, 1992)


sábado, 20 de dezembro de 2008

Escuridão

A escuridão me envolve por completo, como se eu tivesse sendo engolido por um buraco negro de dimensões grotescas. Como cheguei até aqui, eu não sei. Não conseguia compreender o que estava acontecendo. Só sei que a razão me foge totalmente, enquanto o medo começa a me dominar por completo.

De repente, bem ao fundo, um ponto brilhante, uma fagulha, que simplesmente aflora como se fosse uma saída, um escape, o prenúncio da minha libertação.

Quanto mais vou me aproximando, aquele ponto vai tomando uma certa forma, consigo perceber a silhueta de uma pessoa , uma figura feminina que abre os braços e que me agarra tão fortemente e eu quase sem forças, vou me sucumbindo a ela. Posso sentir seus braços me envolvendo e todo o meu corpo sendo levado numa dança sensual que faz estremecer. Não consigo dizer nada, não consigo fazer nada, sinto-me totalmente dominado por ela.

Ela me devorava com uma volúpia que eu nunca antes havia presenciado numa mulher e eu ali passivo, só podia sentir aquela sensação que entorpecia todo o meu corpo. Naquele momento ela usava e abusava de mim de tal maneira que eu, simplesmente, me deixei levar pelo calor do momento.

O tempo havia perdido o seu sentido. A escuridão ali continuava, e apenas o seu brilho forte, que ofuscava os meus olhos, era a única coisa que ali existia. E lá estava eu, prostrado a seus pés, sendo manipulado de todas as maneiras possíveis, obedecendo aos seus comandos mais vis.

Eu era simplesmente o seu objeto de prazer. Um escravo de seus desejos mais sombrios. Minha intimidade toda revelada sem que eu pudesse pelo menos também desfrutar de seu corpo, pois de alguma maneira, eu me sentia paralisado ante a sua presença forte, ante a sua beleza infinita, ante ao seu toque enebriante.

E naquele clímax, naquele momento mais forte e febril, ela simplesmente desapareceu me deixando ali, sozinho, sem forças, flutuando naquela imensa escuridão que parecia não ter fim, e de repente, da mesma maneira que ali eu tinha chegado, voltei para a minha cama, exausto, ofegante, suado e assustado. O coração batia forte, pernas e braços doloridos.
A pura realidade tão nua e crua!
(by A. J. Rosário - 19/12/2008)


Fonte da imagem: Google

sábado, 18 de outubro de 2008

A espera de Sofia





O dia estava ensolarado como se fosse verão, mas era já era quase no final do outono. Já se podiam perceber as folhas das arvores caídas pelo chão formando um tapete de contraste verde e marrom. E no parapeito de sua casa, Sofia estava sentada em sua cadeira de balanço esperando...

O vento batia em seu rosto, o cheiro das arvores ao redor de sua casa era intenso. Os passarinhos voavam de galho em galho, o som de seus cantos penetravam nos ouvidos de Sofia, como uma melodia harmoniosa, mas ela continuava esperando...

Um barulho, como se fosse uma explosão podia ser ouvido. Talvez fosse da construção que estava sendo feita alguns quilômetros adiante. Um grande shopping estava sendo construído, algo que iria modificar radicalmente a região, mas Sofia já nem se importava mais com isso, pois ela estava apenas esperando...

Alguns vizinhos passavam pela rua, alguns indo para o trabalho, outros para a escola, e outros cumprindo seus afazeres. Não tinha um que não cumprimentasse Sofia, seja com um aceno de mão ou com palavras doces com que a educação é permitida, Sofia apenas dava um leve sorriso, porque na verdade ela só estava esperando...

De repente, o clima começou a mudar as nuvens que antes eram tímidas, começaram a cobrir o céu, e podia perceber que uma tempestade se anunciava. Os primeiros pingos começavam a cair e alguns iam em direção ao seu rosto. Sofia continuava inerte. Ela apenas estava esperando...

A chuva começou a ficar mais forte, seus pingos batiam com uma forte intensidade na proteção que ficava acima do parapeito de onde Sofia permanecia impávida, com um semblante triste, mas ao mesmo tempo, conformada com a situação, conformada com o rumo que as coisas tomaram em sua vida. Agora, nesse momento, ela só queria ficar esperando...

As horas foram passando. A chuva começava a diminuir em intensidade, e o Sol tímido começava a despontar de novo no céu. Sofia ergueu a cabeça para ver a beleza que se anunciava no firmamento que começava a ficar azul de novo, as nuvens se dissipavam por completo, e o espetáculo da luz solar era uma visão que para seus olhos parecia ser a porta de entrada para um lugar melhor.

A espera de Sofia havia terminado. Sem entender o que estava ocorrendo, ela começou a flutuar em direção ao céu, sem olhar para trás, era como ela estivesse se libertando de uma prisão. O brilho solar a hipnotizava de tal modo que em seu rosto um sorriso de alegria e felicidade se abria. Ela sabia que era o começo de uma nova jornada, o passado que muito a fez sofrer era agora algo muito distante, quase que imperceptível. Uma nova vida estava por vir, e um sentimento de satisfação encheu o seu coração e a sua alma... enfim, ela tinha realmente encontrado a paz que tanto tinha almejado!
(by A. J. Rosário - 17/10/2008)

Fonte da imagem: Google

sábado, 6 de setembro de 2008

Barriga é barriga por Arnaldo Jabor

Adoro como Arnaldo Jabor escreve. O texto abaixo me deixou bem mais tranqüilo. Apesar da minha estatura mediana, tenho uma pequena saliência na região do estomago que nunca me incomodou, mas que incomoda um monte de gente que não tem o que fazer e acabam se metendo na minha vida.

Muito bom...

Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna:

- A tartaruga com toda aquela lerdeza,vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista, compositor e intérprete baiano é conhecido como pai da preguiça. Passa 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, leva 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico, completou 90 anos e nada indica que vá morrer tão cedo.

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica,musculação,academia?
Sai dessa enquanto você ainda tem saúde... E viva o sedentarismo ocioso!!!

Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda eternidade para ser só osso!!! Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!! VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!!

Você tem pneus??? Lógico, todo avião tem!!!

Arnaldo Jabor (recebido por e-mail)
Concordo com tudo, em gênero, número e grau? Photobucket

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A pracinha perto de minha casa

Que saudades da pracinha perto da minha casa. Quando criança eu brincava no escorregador, na balança, na gangorra e em vários outros brinquedos que lá havia. Tinha área reservada para brincar e a área com muita grama, verdinha, robusta, que era proibido pisar, e nós respeitávamos!

E nessas áreas de grama, havia árvores, bem cuidadas, que na primavera florescia dando um tom colorido a aquela pracinha aconchegante.
As pessoas idosas passavam horas lá sentadas, alimentando os pombos, lendo algum livro ou jornal, e até mesmo tiravam uma cochilada.

Eu cresci, e aquela pracinha da minha infância foi desaparecendo. Com o tempo, algumas árvores foram sendo cortadas, as áreas de grama foram diminuindo, dando lugar ao concreto. Os brinquedos que lá havia, por falta de cuidado foram se enferrujando, tornando-se um perigo para todos que lá freqüentavam. E assim, a pracinha deixou de ser um local adorável, aconchegante, para dar lugar a um local assustador, tenebroso e sujo.

O tempo passou, eu já adulto, observava sempre as mudanças que lá ocorriam, e sempre em época de eleição. Retiraram toda a grama, ou o que sobrou dela e no lugar preencheram de areia. Construíram uma pista de skate e até um coreto. E no resto cimento puro. O coreto servia para que políticos viessem e dessem seus recados, para que certas igrejas realizassem seus cultos e aqueles shows esporádicos de música duvidável.
Do jeito que estava, não teve jeito, a prostituição começou a rolar solta, traficantes durante a noite começaram a fazer seus negócios, e tornou-se um perigo passar por lá, pois o número de assaltos cresceram.

E os mendigos? Fizeram da praça seu banheiro público, adotando o coreto como moradia. Alguns até mantinham relações sexuais ao ar livre. A saudosa pracinha virou um verdadeiro lixão.

Há pouco tempo construíram algumas mesas com assentos feitos de concreto, numa nova reformulação, com o objetivo de oferecer um lugar para os idosos descansarem e jogarem suas cartas. Mas o que se viu era que desocupados e cachaceiros começaram a freqüentar. As brigas eram constantes.

E a pista de skate? Um verdadeiro desperdício de dinheiro, pois o objetivo era para as crianças brincarem (por causa do tamanho), mas também começou a ser ocupadas por marmanjos de barba, todos de procedência duvidosa, que dava medo até de olhar para eles. E só para constar, a pista não oferecia condições nenhuma de segurança. Dava um frio na barriga ver skates voando e crianças rolando ladeira abaixo.

Há pouco, uma nova reformulação foi feita (é ano de eleição, é claro!).O coreto foi derrubado, a areia e o concreto foi retirado, colocaram aqueles brinquedos que um dia fizeram a minha alegria de infância, colocaram várias áreas de grama verdinha, e construíram algumas passarelas. Mas nada que lembre a pracinha que um dia existiu no passado. E isso não durou muito, hoje vemos que ela continua largada. A grama praticamente desapareceu, o que resta é terra, que em dias de chuva provoca uma lama que escorre por todo lugar. Os brinquedos não estão sendo cuidados e a pista de skate continua sendo um perigo e ponto de encontro de marginais.

Ela continua sendo um local perigoso para se freqüentar a noite, mas toda vez que passo por ela, lembro da minha infância, e dos dias felizes que lá vivi, da namoradinha mais alta do que eu, na qual eu tinha que subir num banquinho para beijá-la ( e ser o alvo das gozações).

Uma coisa permanece lá inalterada durante esses mais de trinta anos, a banca de jornal, onde eu compro jornal e as revistas de super heróis (vício que não consigo largar) . É a lembrança que restou de um passado bem mais simples e inocente, daquela pracinha perto de minha casa...
(by A. J. Rosário - 12/08/2008)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O triste final de um eterno injustiçado!

Ele era muito importante e sempre fazia parte de um grupo especial. Assim como seus semelhantes, seu papel era de organização e diferenciação, mas era um injustiçado. Execrado por todos porque não entendiam a sua utilidade nesse mundo globalizado, acabou ficando esquecido, como se fosse uma pequena nota no rodapé.

Com a desculpa da unificação, ficou fácil eliminá-lo! Os fins justificam os meios, é o que sempre dizem, e assim ele vai dando seus últimos suspiros.

Ele queria ser usado e abusado assim como seus companheiros, mas ninguém se importava com ele. De uso obrigatório, tornou-se facultativo há pouco tempo e agora, estão tentando acabar com os seus sonhos. Ele está sendo assassinado fria e lentamente.

Está sendo um fim triste, porque ninguém está se dando conta. Largado e jogado ao léu, ele permanecerá na lembrança de poucos, que realmente se importava com ele. Eu sou um daqueles que fazem parte desse grupo. Sempre o usamos quando necessário, porque sabemos da sua importância e eu sempre tento fazer a coisa certa. Mas infelizmente realmente o fim está próximo.

Para que ele não caia em esquecimento, vamos usá-lo corretamente enquanto for possível e que nunca o esqueçamos. Não quero dizer “Descanse em Paz”, pois enquanto houver esperança, sempre haverá uma luz no fim do túnel.
Portanto, meu caro TREMA, as palavras descritas abaixo, e todos aqueles que se importam, o reverenciamos, de coração:
ágüe/agüemos, agüento, alcagüete, antigüidade, antiqüíssimo, apazigüemos, aqüicultura, argüir, bilingüismo, cinqüenta, conseqüência, contigüidade, delinqüência, desmilingüir, eloqüente, enxágüe, eqüidistante, eqüestre, eqüilátero, freqüência, grandiloqüência, inconseqüente, inexeqüível, iniqüidade, lingüiça, liquidificador, líquidos, multilíngüe, obliqüidade, qüiproquó, qüingentésimo, qüinquagésimo, qüinqüênio, qüinqüídio, redargüir, sangüíneo, seqüela, seqüência, séqüito, ubiqüidade...
E assim estamos todos nós, reunidos em sua homenagem! Muitos irão sentir a sua falta...


Observação: As mudanças na ortografia da nossa língua estavam previstas para acontecer a partir desse ano. Até 2010, os livros escolares deverão já estar atualizados. O objetivo dessa mudança é unificar a escrita em vários países que tem a Língua Portuguesa como oficial.
Com a aprovação do Parlamento de Portugal, essa unificação é já é realidade. Mas em se tratando de Brasil, tudo pode acontecer...
(by A. J. Rosário - 10/08/2008)

sábado, 5 de julho de 2008

Destruição 4ª parte

A tempestade começava a se formar do sul. Rapidamente peguei algumas coisas essenciais, tais como roupas e alimento e estoquei no Helicóptero. Pretendia sair dali correndo, pois essa tempestade estava vinda de um jeito diferente, é claro que eu já tinha enfrentado outras, mas essa estava formando alguns ciclones e os efeitos dela já podia sentir. Meu objetivo era seguir na direção norte. Com a nave totalmente reabastecida, e com mais combustível em estoque, minha intenção era partir para bem longe daqui. As máquinas e aparelhos que eu vinha reunindo restavam em segurança, pois eu pretendia voltar. De repente, o que eram pequenos ciclones tornou-se um grande furacão. Nunca tinha visto um, era ao mesmo tempo trágico e maravilhoso.

Comecei a pilotar a nave. A subida começou a ficar um pouco turbulenta e sem entrar em pânico, comecei a direcioná-la opostamente à tempestade. Do alto puder ver o estrago que ela estava fazendo pelo caminho. Nunca tinha ocorrido algo assim. Meu medo era que alguma coisa lançada pelo furacão me atingisse. Eu tinha calculado a distância máxima de segurança. Estimei a velocidade do vento a mais de 350 Km/h, e o diâmetro do furacão além de 2500 Km, valores que excediam em muito dos furacões observados no hemisfério norte. Portanto, pretendia atingir pelo menos 3000 Km do ponto onde eu estava. Meu coração batia forte.

A devastação era imensa. Conforme eu ia em direção ao norte, a mesma cena se repetia: cidades destruídas, florestas dizimadas e nenhum ser vivo. Resolvi então ir em direção para outros países, e a mesma cena, a mesma destruição sempre se repetia.



Como nunca tinha ido a Machu Pichu, no Peru, resolvi dar uma passada por lá. Chegando, senti uma sensação estranha, talvez causada pelo ar rarefeito dos Andes. Aquilo era novidade para mim. As ruínas de Machu Pichu estavam diferentes das fotos que eu tinha visto, não havia mais algumas casas e templos, a destruição deve ter sido a responsável.
Comecei a percorrer a pé o local, maravilhado pela visão das montanhas a mais de 2000m ao nível do mar, eu estava sentido pela primeira vez os efeitos da baixa gravidade, e o frio estava um pouco intenso.

Do nada, começou um tremor de terra e imediatamente corri até o helicóptero. No alto vi que as ruínas que um dia fora a cidade dos incas, acabava de ser engolida totalmente pelo chão. Quando eu menos esperava um objeto metálico tomou o lugar da cidade e começou a subir. A turbulência atingiu em cheio o helicóptero que deu uma cambalhota no ar e as hélices foram totalmente destroçadas... A queda era inevitável. Agora sim, eu pensava, vou morrer para valer.

Era o meu fim, uma grande ironia, pois eu tinha fugido de uma tempestade mortal e iria encontrar o meu fim no meio das montanhas geladas dos Andes... Nem mais estava pensando naquele objeto metálico enorme que havia aparecido...

Continua...?

sábado, 7 de junho de 2008

Destruição 3ª Parte

Leiam: 1ª parte; 2ª parte

2 meses se passaram...


Durante todo esse tempo me mantive ocupado ora consertando coisas que resgatava dos escombros, ora lendo e aprendendo como pilotar o helicóptero novo em folha que eu tinha descoberto. Sempre fui autodidata, desde pequeno desmontava e montava um monte de coisas que faziam meus pais ficarem loucos e por pouco não provocava incêndios em casa ao mexer na eletricidade.

Com o tempo aprendi a ser menos impulsivo e dar mais atenção aos manuais de intruções, isto é, ler antes de mexer. E dessa vez, com esse helicóptero, eu teria que me concentrar e fazer a coisa certa e sem erros, pois, eu parecia ter todo o tempo disponível do mundo.

E assim o grande dia chegou. Era o meu primeiro teste, pretendia apenas levantar voo numa altura bem pequena, para que eu me acostumasse com os controles. Comecei apertando os botões na seqüência correta, as hélices começaram a girar, as condições do tempo estavam boas, o que era surpresa, já que as mudanças de climas eram constantes. Com a alavanca, eu controlava a sustentação do rotor, com o manche eu controlava a sua velocidade e senti a inércia e a gravidade me puxando para baixo; um frio percorreu o meu estomago... Era o helicóptero subindo, senti tudo vibrar, quando eu menos pensava eu já estava numa altura bem considerada, e dali pude perceber a extensão do holocausto sofrido, apenas ruínas em direção ao horizonte, seja qual direção eu olhava, era a visão do apocalipse que eu só tinha visto em filmes de ficção científica.

Comecei então a acionar os controles para a descida. A cada sacudida do helicóptero, meu coração saltava para fora, mas enfim, já estava em solo firme. Uau, pensei, consegui colocá-lo no ar... um grande avanço para quem tinha medo de dirigir carros e de altura. Nos dias que se seguiram, fiz o aparelho se deslocar em todas as direções, eu já estava também começando a fazer voos curtos. Combustível? Não era problema. Estava a minha disposição, e se precisasse mais, era só ir até outro heliporto ou aeroporto. Como já tinha dito antes, apesar de toda a destruição, apenas os seres vivos tinham praticamente desaparecidos, talvez desintegrados por alguma arma desconhecida... Eu disse praticamente? Sim, porque inexplicavelmente eu estava ali... Vivo!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Andréia

Andréia era uma garota muito linda, olhos verdes, cabelos castanhos, um corpo escultural, o sonho de consumo de qualquer homem. Photobucket Com a beleza que tinha, conseguia tudo que queria, e ela sabia como provocar. Filha de pais de classe média, Andréia era uma menina mimada, mas no fundo tinha uma tristeza que você só perceberia se fosse intimo dela, não no sentido sexual da coisa, mas no da amizade.

Eu, um cara como qualquer um, tinha em mente uma coisa: não era o tipo dela e sabia que nunca teria nada mais além do que a amizade. Em sendo assim, procurei cultivar os momentos que tinha ao lado dela, seja ajudando num trabalho escolar, ou apoiando-a em qualquer decisão tomada por ela.
Seu gosto por homens era um pouco duvidoso, sempre arranjava alguns espíritos de porcos para namorar e nunca dava certo. Os caras que ela namorava tentavam prendê-la de tal maneira que não percebiam que essa menina nasceu para voar, ser livre e fazer o que der na telha. Seus relacionamentos eram curtos, e ao fim de cada um deles, lá estava o meu ombro amigo para consolá-la. Já estava conformado com isso. Isso era o máximo que eu chegaria ao lado dela.

A coisa começou a mudar quando num determinado dia, eu estava voltando da faculdade e presenciei uma discussão entre duas pessoas no outro lado da rua. A briga começou dentro do escort vermelho e de lá sairam duas pessoas. Imediatamente percebi quem era uma delas. Andréia estava discutindo com um cara, e o indivíduo, bem mais alto que eu, começou a segurá-la fortemente pelo braço, apontando em riste o dedo indicador na direção de seu rosto. De repente o barulho de um tapa no rosto ecoou fortemente e eu não me contive. Covarde é o cara que bate numa mulher, importa qual o motivo. Parti para cima do cara e a porrada comeu solta. A única coisa que lembro daquela noite era eu com a cabeça no colo da Andréia, que estava sentada ao lado de um muro na calçada, e ela me acariciava de tal maneira que parecia que eu estava no paraíso. Desse dia em diante, Andréia começou a me olhar diferente. E aconteceu aquilo que eu mais queria no mundo. Nosso primeiro beijo aconteceu debaixo da varanda da casa dela. Como um conto de fadas, eu tinha sido o cavaleiro que havia salvado a mocinha do cara malvado. E que no final das contas, o herói tinha ganho o dia.

Nos dias que se seguiram, eu era o assunto do momento. Eu tinha conseguido algo que muitos sonhavam e passei a ser o cara, propriamente dito. E eu então? Estava vivendo nas nuvens. Passei a me sentir como o Super-homem, ao lado de seu grande amor, Lois Lane!



Mas infelizmente esqueci com quem eu estava saindo. Apesar dos incríveis momentos juntos, sabia que a Andréia era uma pessoa muito independente. Eu mais do que ninguém, sabia que nosso relacionamento não seria muito longo, e já estava me preparando para isso. Photobucket



Era um sábado a noite, tínhamos planejado sair para ir ao cinema, depois dançar, e quem sabe o que mais. Ao chegar na sua casa percebi que ela estava muito estranha, ela tinha me dito que estava com dor de cabeça e que queria ficar em casa sozinha. Tudo bem, eu pensei, perguntei se ela queria que eu ficasse com ela e ela me disse que era para eu me divertir e sair com os meus colegas. Até aí, compreendi, as vezes precisamos ficar só, e ela me deu um sorriso e um beijo e nos despedimos.
Saí então com mais quatro colegas e fomos para um barzinho. Enquanto a cerveja rolava, ao fundo um som maneiro, rock da melhor qualidade, Deep Purple, Led Zeppelin, Iron Maiden entre outros; muitas piadas e muita descontração, uma balada típica de sábado a noite.
Estávamos no parapeito do 1º andar do barzinho, e da nossa mesa tínhamos a visão da rua, especialmente eu, que podia ver o que estava rolando do outro lado. De repente, um escort vermelho para e pude ver aquele cara com quem tinha brigado, saindo dele e junto uma garota que de inicio, não pude ver quem era, mas depois, enxergando melhor o vestido vermelho que ela usava, percebi quem era. Aquele vestido eu tinha dado a ela na ocasião de seu aniversário, e que combinava perfeitamente com aquele corpo de deusa. Uma lágrima teimosamente tentou escorrer pela minha face, mas que prontamente impedi. Photobucket

Eu me virei na direção de meus colegas, chamei o barman e pedi mais cerveja, fritas, e assim a noite rolou adentro, pois como já dizia um certo apresentador de TV, a noite era apenas uma criança... E ela só estava começando! Photobucket




Esse post faz parte do Blogueiro Repórter, idealizado por Edney Souza, o mago da blogosfera brasileira.
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(by A. J. Rosário - 07/05/2008)

sábado, 26 de abril de 2008

Destruição 2ª parte

Leia a 1ª parte aqui.

Apesar dos dias quentes e secos, não passava fome ou sede, pois descobri que havia ainda alimentos enlatados ou ensacados nas ruínas de padarias ou supermercados. Nos dias que se seguiam, eu acabei me alimentando do que havia sobrado. E como parecia eu ser o único sobrevivente, havia muito alimento de sobra. E bebida? Água mineral, refrigerantes ou cervejas, tudo a minha disposição. Pelo menos meus últimos dias na Terra iam ser de muita fartura.

Sem eletricidade, quando a noite chegava, eu me enfiava pelos escombros para me proteger do frio intenso que se formava e algumas vezes, da chuva intermitente que insistia em cair, cujos pingos ardiam na pele. Uma chuva ácida que parecia indicar os efeitos do que havia acontecido.

Meu corpo sentia essas mudanças malucas no clima, resfriados e gripes tornaram-se constantes. Eu me entupia de antibióticos que estavam a disposição nas farmácias em ruínas. Mas eu sabia que não sobreviveria a tudo isso, meu corpo já dava sinais de cansaço. Sem nada para fazer, só me restava esperar por algo... Ainda tinha esperança que alguma coisa poderia acontecer.

De posse de um rádio de ondas curtas e de algumas pilhas, tentava encontrar alguma estação de rádio, fosse daqui ou de fora, mas só dava estática. Pelo jeito, no mundo inteiro pareceu ter acontecido a mesma destruição que houve aqui. E eu continuava a girar o dial por bastante tempo, na esperança de ouvir alguma coisa, seja que língua for, apenas para ter a certeza de que eu não estava só... A decepção era plausível.


Nas minhas andanças, cheguei num lugar onde era localizado um heliporto, e qual não foi a minha surpresa ao encontrar, no meio de tantos destroços, um helicóptero totalmente intacto. Ele estava dentro de um galpão que também fora castigado por aquela onda de destruição. Já que eu tinha todo o tempo do mundo, passei a me dedicar a aprender a pilotar o veículo. Procurei por livros, manuais e até vídeos na qual pudessem me ensinar o básico. Em outros locais, encontrei vários geradores, alguns solares, inclusive.

Pelo jeito, tentaria vencer a solidão empregando todo o meu esforço na busca de um objetivo. Precisava disso, para enfrentar a situação que eu estava vivendo...

Continuem visitando Seawolf City, mas se quiserem vê-la prosperar, crie indústrias! Ou então, melhore os meios de Transportes!

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

O Mundo Feminino

O mundo feminino em 2031, por Luiz Fernando Veríssimo


Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031, sobre como as mulheres dominaram o mundo:

- Foi assim que tudo aconteceu, meu filho... Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos. Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião.Parecia brincadeira. Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo...

- E aí, papai?

- Ah, os homens foram muito ingênuos... Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela... Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes... "Celulite", eram as células que formavam a organização.Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".

- E vocês? Não perceberam nada?

- Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados... E o que é pior: Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios... Essas coisas de homem.


- Aí, veio o golpe mundial?!?


- Sim, o golpe!!! O estopim foi o episódio Hillary-Mônica.Uma farsa... Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado.Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica.


- Como era mesmo o nome dele?


- William, acho... Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe filho, já faz tanto tempo...


- Tudo bem, papai... Não tem importância. Continue...
- Naquela manhã, a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa.Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam!!! A rebelião tinha sido vitoriosa! Então, elas assumiram o poder em todo o planeta! Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora... Depois, trocou o nome, de Madonna, para Mandona!

- Pai, conta mais...


- Bem filho... O resto você já sabe: Instituíram o Robô "Troca-Pneu," como equipamento obrigatório de todos os carros... A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho...E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...


-TPM???

- Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... É quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...


- Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...

- Sssshhh !...Escutei barulho de carro chegando... Disfarça e continua picando essas batatas...


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sábado, 29 de março de 2008

Destruição!

Ping, ping, ping...

Acabo acordando com aquele som da torneira com água pingando e com uma baita dor de cabeça, e algo que estava me incomodando, não conseguia me mexer direito... e senti que o meu corpo todo estava dolorido. De repente me dei conta que estava embaixo de destroços, pedaços do teto e da parede sobre mim, e alguns cortes na cabeça e no braço, as pernas imóveis, presas entre os escombros...


Bateu o pânico em mim, e o resto do pessoal, o que será que aconteceu, algo explodiu? Ou alguma coisa deva ter caído do céu... um meteoro, um avião?


Imediatamente comecei a me virar e rastejar no meio daquela bagunça, e após muito esforço, com o cansaço minando as minhas forças, consegui ir em direção a uma luz que vinha de uma abertura, que por incrível que possa aparecer, era do tamanho exato para que eu pudesse sair e qual não foi a minha surpresa, vi que as residências ao meu redor também estavam destruídas.


Sujo, cheio de poeira pelo corpo, com sangue escorrendo comecei a vasculhar o local a procura de corpos, torcendo para que encontrasse alguém vivo. Não encontrei nada! Não havia nenhum corpo, nem na minha casa, nem nas casas vizinhas, era como se nunca existisse ninguém...


O que será que tinha acontecido? Onde estarão todos? Porque apenas eu tinha sobrevivido...


Comecei a subir num dos locais mais alto para se ter uma visão melhor, e me deparei com algo aterrador: Até onde minha vista pudesse alcançar, em qualquer direção, só havia destruição, carros amassados um em cima do outro, prédios inteiramente destruídos, uma desolação total... bem ao longe explosões e incêndios, muito provavelmente originados dos postos de gasolina. Era um verdadeiro holocausto!


Desolado, exausto, comecei a caminhar por entre os destroços até alcançar a pracinha perto de casa. A visão não se alterava, a destruição continuava presente, as árvores e postes caídos, as casas destruídas, a padaria onde eu costumava sempre ir onde se fazia um lanche delicioso de contra filé aos escombros, a banca de jornal que eu era freguês há mais de 20 anos em chamas, os cabos da eletricidade e de outras companhias, telefone e TV paga, jaziam sobre o chão avisando o perigo de se chegar perto, e mais adiante, o posto de gasolina totalmente em chamas. A avenida principal do bairro estava amontoada de veículos de todos os portes alguns amassados outros totalmente destruídos... Mas fora isso, nenhum som proveniente de qualquer ser vivo, nenhuma presença ou indicação de que neste lugar teriam vivido seres humanos e seus animais de estimação.


Eu era o único! Estava eu só num mar de total destruição... Seria o dia do juízo final? As respostas para as minhas questões pareciam não existir. Só sei que eu estava só!


Continua...?


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segunda-feira, 17 de março de 2008

As aparências enganam?

Dona Zizu!

Ahhhhh... Quem não se lembra da dona Zizu? Aquela senhora que morava no nº 45, da rua Amadeu Fontoura, que adorava fazer doces e quitutes aos montes, e depois distribuía entre as crianças da rua? Era uma festa, aos fins de semana a casa dessa velha senhora era lotada de crianças, não só da rua, mas também das outras bem próximas. Aliás, Dona Zizu era muito querida pelos moradores, era como se fosse a mãe mais velha de todos, seus conselhos eram sempre levados a sério e para qualquer decisão tomada, Dona Zizu era sempre a primeira a ser ouvida. Se aquela rua fosse um reino, Dona Zizu certamente seria a rainha.

Zizu era apenas um apelido cuja origem tinha se perdido no tempo. Seu nome verdadeiro ninguém sabia, de onde ela nasceu ou veio eram verdadeiras incógnitas, mas quem se importava? Era uma senhora tão doce, de uma religiosidade tão extrema que caia nas graças de todos que a conheciam pela primeira vez.Sempre com a resposta na ponta da língua, essa mulher idosa esbanjava em sabedoria e discernimento.

Dona Zizu morava só numa casa bem antiga, deixada como herança de seu marido, que pouco se sabe quem era. Aliás, nunca ninguém tinha conhecido o falecido naquela rua. Só o que se sabia era que ele tinha dado muito duro na vida, para construir aquela casa. Nunca tiveram filhos. Na verdade, Dona Zizu considerava todos os moradores daquela rua como seus filhos, e a recíproca era verdadeira.

Como era uma pessoa muito religiosa, e possuía uma casa bem grande, Dona Zizu cedeu parte de seu terreno para a construção de uma igreja evangélica, a Fortuna Divina de Deus, que era muito freqüentada por pessoas que não moravam na rua. Certos cultos adentravam a madrugada mas ninguém reclamava, porque não havia gritos histéricos e cantoria, eles sempre oravam em silêncio. Apenas um leve barulho de alguma máquina ou motor se fazia ouvir, mas que em nada que incomodasse os vizinhos.

Ás vezes, Dona Zizu viajava e ficava uma ou duas semanas fora, e quando voltava, era só alegria. Ela trazia muitos presentes para as crianças, além de lembranças para a maioria dos moradores.


E assim a vida permanecia calma naquela rua...


Mas naquela manhã de terça feira, a rua estava muito movimentada com muitos carros de polícia, muita gente da rádio, TV e jornal. Tinha acontecido algo que deixou muita gente horrorizada e apreensiva por causa daquela noticia espantosa que insistia em percorrer todos os meios de comunicação: ”Nessa manhã de terça, foi finalmente presa uma criminosa há muito procurada pela polícia federal. Ela era a líder de uma quadrilha assaltante de bancos e de falsificadores que agia em todo o território nacional.

Armelinda da Cruz Inocêncio tinha 63 anos e foi presa em sua própria residência num bairro da zona norte de Crisolândia. Quando a polícia entrou na casa, a velha senhora estava conferindo várias sacolas cheias de notas de 50 reais, provavelmente oriunda de algum roubo. Além disso, também foram encontradas equipamentos usados para falsificar dinheiro na Igreja construída no próprio terreno..."


É... As aparências realmente enganam...

Esse post faz parte da Blogagem Inédita
(by A. J. Rosário - 10/03/2008)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O bar e o trovão


E lá estava ela com aquele sorriso tão lindo, mas que escondia por trás uma imensa tristeza. Nossa amizade havia começado tão de repente, que nossos segredos mais íntimos começaram a ser revelados a medida que nossos encontros naquele barzinho aumentavam.

Éramos perfeitos. Como diriam as pessoas, perfeitas almas gêmeas. Sempre saíamos a noite e aquele barzinho se tornou nosso ponto de encontro. Lá era o nosso mundo surreal, pois estando juntos dividíamos nossos temores e alegria, um completando as palavras do outro, e essa amizade começou a se tornar algo mais.

Tínhamos tanto conhecimento da vida um do outro, que havia a sensação de que já vivíamos juntos há muito tempo. Naquela bela noite de sexta, algo estava para acontecer.

Eu particularmente estava ansioso e a algum tempo já sentia que realmente algo maior poderia acontecer entre a gente, e sabia que ela também estava sentindo o mesmo.

E assim, o ritual da noite começava, ela sempre chegava primeiro que eu, e já ajeitava uma mesa própria para nós dois. Naquela noite, eu sabia que alguma coisa poderia acontecer, e no momento que cheguei, percebi pelo seu olhar que algo era inevitável.

Pedimos como sempre uma entrada de fritas, com a cervejinha bem gelada ao lado, mas nesse dia nenhuma palavra estava saindo de nossas bocas, apenas os nossos olhares que não se desviavam... Parecia que nós conversávamos por pensamento, nossas

mão se tocavam e fazíamos carícias um no outro. Nós tínhamos chegado a um ponto em que não poderia haver mais retorno.

Na saída do barzinho, um casal se esbarrou nela fazendo com que ela tropeçasse em minha direção. Prontamente a segurei pelos ombros, e naquele momento o impulso falou mais alto. Frente a frente um do outro, nossos corpos se tocando, nós não conseguimos resistir e nos beijamos.

Parecia durar uma eternidade. Podíamos sentir nossos corações batendo cada vez mais fortes. Naquele momento, naquela calçada, naquela noite, estávamos nos tornando um só corpo, uma só alma... Mas como se fosse um aviso dos céus, um trovão anunciando a chuva que estava por vir, nos separou e nos trouxe de volta a realidade nua e crua.

Eu não posso, ela disse, e continuou: Você sabe que não podemos. O que vivemos aqui todas essas noites era mais como um sonho, daquilo que poderia ter sido, mas não foi. Temos uma vida aqui fora e não podemos comprometê-la mais do que já fizemos, é hora de parar. Eu te amo, mas não posso abandoná-los. Tenho responsabilidades... (nesse momento lágrimas caiam pelo rosto) Você sabe do que estou falando...

E então naquela chuva ela se foi para nunca mais voltar. E eu ali parado, esperando que ela voltasse de encontro aos meus braços...

Ainda vou sempre naquele bar na esperança que um dia eu possa encontrá-la, mas como sempre, permaneço só na mesma mesa que um dia eu e ela dividíamos.

E toda vez que cai um trovão, ainda mais se for numa sexta a noite, lembro daquele momento que foi tão singular e tão real para mim. Um sonho que nunca poderia ter dado certo.

Um amor que nunca poderia ser concretizado!

(by A. J. Rosário - 15/02/2008)

sábado, 12 de janeiro de 2008

Arrogância...


Um calouro muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, por que era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

"Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo", o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

"Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ....," numa pausa para tomar outro gole de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

"Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando nós éramos jovens... Por isso nós as inventamos. E você, seu bostinha arrogante, o que você está fazendo para a próxima geração?"

Foi aplaudido ruidosamente.


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domingo, 6 de agosto de 2006

Novidades do Aerosmith, Magic the Gathering e a Balada do Rato Voador!

A minha banda preferida de Hard rock está a todo vapor! Tyler e sua trupe farão uma nova turnê com o Mötley Crue e já tem um novo trabalho a caminho. Um novo cd para o início de 2007(seria para esse ano, mas a cirurgia que Tyler fêz na garganta atrasou um pouco) e para honrar o contrato com a Sony, no final de 2006 sairá mais um Greatest hits(de novo!!!!), com talvez algumas inéditas ou outtakes. Aeromaníaco como sou, vou comprá-los com certeza, não importa o preço. Um dos outtakes que parece ter sido confirmado é o Sundona Sunrise, que deverá sair com um outro nome e nova "roupagem": Heat of Love. Uma nova power ballad já foi confirmada para o próximo cd, e ela se chama What Could Have Been Love, que de acordo com alguns comentários que li em vários fóruns, remete aos anos 80, no estilo de What it Takes.
Aerosmith really rocks!

Nessa Sexta, fui campeão de novo, de um torneio de Magic, desta vez , na Devir. Foi no FNM, e o torneio foi um Two Head Giant standard, meu parceiro foi o meu brother Rodrigo, e se quiserem saber mais, vejam aqui: http://www.ligamagic.com/?view=forum/mensagem&local=5&id=1805
Ontem, joguei T1 Na OZ e fiquei em terceiro lugar, com um deck de goblins, ou Food Chain Goblins. Só perdi para o deck de Oath, que é o meu nêmesis, mas a tech que coloquei no deck funcionou em parte, não fui ousado o bastante, poderia ter ganho, mas fica para a próxima.

A BALADA DO RATO VOADOR

Já há algum tempo, um rato estava correndo alegre e feliz na minha casa durante a noite, e estava sendo difícil pega-lo, pois o danado conseguia correr através do fio da Net e dos trilhos. Apelidei-o de rato equilibrista. Ora ele estava no armário da minha tia, ora no meu, ora dos meus primos, e adorava excursionar pela cozinha, pululando nos armários, pia e geladeira. Era um inferno!
Tudo tinha sido tentado, pega rato (um cartão com cola), venenos de qualquer tipo, ratoeiras, e nada, parecia que ele antecipava a tudo e a todos. Nessa noite, ele estava correndo pelos trilhos, e eu e o meu primo ficamos de guarda. O filho desse meu primo chegou por volta das três da manhã, e quando ia para a cozinha, avistou o danado em cima da geladeira. Eu e o meu primo imediatamente fomos até lá e eu fiquei na porta, para impedir que o rato voltasse para os quartos, enquanto que ele arrastava a s duas geladeiras e a mesa, enquanto isso, ele colocou água para esquentar. O filho do meu primo, que é maior do que eu, mostrou-se um medroso de primeira linha, e não quis ajudar para segurar a tábua que impedia a passagem para o quarto. Logo eu, munido de um rodo numa mão, tinha que segurar a tábua. O rato pulava de tudo quanto era lado, e voava, isso mesmo, voava de uma geladeira a outra, atravessando a pia e sempre ia na minha direção querendo ir até os quartos... Mas eu o impedia.
Nessa toada, meu primo na ânsia de catá-lo, derramou a água quente em mim, especificamente no braço e na perna, e com muito custo, tentava jogar no rato. Houve um momento em que o rato resolveu me enfrentar voando do alto da geladeira até em minha direção, mas lá estava eu, empunhando um rodo de madeira pronto para impedir o intento dele. Nessa brincadeira eu dei um chute no danado que fez com que ele fosse para baixo de uma das geladeiras, e o meu primo nesse momento jogou água quente nele, e quando novamente, veio em minha direção meti uma pancada na cabeça dele, e ele parou, já sentindo o golpe, e o meu primo que empunhava um pedaço grosso de madeira, deu a porrada final, matando o desgraçado.
Soltei um grito alto: YEAHHHHHHHHHHHHHH, acordando provavelmente meus outros parentes que moram no mesmo terreno, e alguns moradores da rua. Era um grito de satisfação, do caçador finalmente agarrando a sua presa.
Era o fim do rato equilibrista e VOADOR! Toda essa brincadeira tinha acabado por volta das 4 da manhã. Quase duas horas de perseguição!!!!!
Resultado final: queimaduras na perna e braços direitos, dedos machucados porque na brincadeira quebrei um dos rodos, e fiquei com uma puta dor nas costas devido ao esforço que tive toda hora abaixando e levantando. Realmente foi uma noite alucinante, no estilo de Velozes e Furiosos. Deveria ter filmado a cena. Daria um longa com certeza!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Corinna

Corinna, triste e em depressão, sentou a beira do lago que ficava do lado de sua casa, ela não queria estar com ninguém a não ser sua própria angustia de ter tido uma existência nula. Casou-se aos 13 anos, praticamente vendida pelo seu pai a um comerciante da cidade grande, viu sua juventude se esvair na forma de sucessivas gravidezes e de cuidar de um homem já idoso, que a tratava como se fosse uma criada qualquer.
Nasceram 5 filhos, sendo que 2 deles, prematuros, morreram no parto. Sobraram Joanne, James e John. Seu marido não chegou a ver o primeiro aniversário do caçula James, um infarto fulminante acabou com ele. Ainda bem que ele tinha algumas posses, o que contribuiu para que Corinna não fosse jogada na rua da amargura. Com três crianças para criar, ela comeu o pão que o diabo 17/amassou, mas mesmo assim, ela agradecia aos céus por conseguir vencer a tudo e a todos. Mesmo com todos os infortúnios, Corinna era uma pessoa muito religiosa e jurou em vida não pertencer a nenhum outro homem. Ela criou dentro de si uma parede. Para ela Deus a estava provando...
Sua filha Joanne, quando tinha 16 anos, foi violentada e espancada por um grupo de desocupados e com o passar do tempo foi se tornando cada vez mais paranóica e acabou se suicidando, cortando os pulsos.
John, o filho mais velho foi assassinado quando estava no meio de um tiroteio na praça central da cidade. Dizia-se que ele fazia parte da quadrilha que assaltava o comercio local, mas nada tinha sido provado. Dizia-se também que sua irmã tinha sido violentada como parte de uma vingança de uma quadrilha rival.
Mas Corinne sempre agradecia a Deus. Eram provações que ela tinha que passar...
John, o caçula, tocava o comercio deixado por seu pai, e cuidava de sua mãe. Casou-se com uma linda garota da região, Dianne, mas não deu sorte. Ela começou a trair John com um amor de sua infância. Não tardou muito e o pobre rapaz descobriu tudo. Num acesso de fúria assassinou a esposa e seu amante, e no fim, deu um tiro em sua própria cabeça. Para Corinne, Deus continuava com suas provações...
Hoje Corinna está com 48 anos e cansada de viver. Cansou-se das provações... Na beira do lago ela pensa em como as coisas poderiam ter sido diferentes. Poderia ter fugido de casa, ou não ter aceitado o casamento. Ou poderia ter tido outro homem. Mas ela hoje está sozinha e sem ninguém. Financeiramente, ela vivia de uma pensão e de alguns aluguéis deixados por seu falecido marido... mas por dentro, ela estava aos pedaços.
Sentada a beira do lago e encostada numa arvore, ela via o seu olhar se tornar turvo, a paisagem se tornar embaçada, suas pernas e braços não mais responderem aos seus impulsos... Ela estava se despedindo do mundo. Para que viver? Deus ferrou-a a vida inteira, e agora era ela que estava no comando. Alguns comprimidos e ela agora determina seu próprio destino. Não era seu pai, seu marido, seus filhos, Deus, igreja, sociedade, agora é ela e ninguém mais.
(by A. J. Rosário - 16/01/2006)

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